O ex-presidente, Andrés Sánchez, sempre foi enfático ao dizer que preterira as categorias de base do Corinthians, durante seu mandato; Algo inquestionável, tendo em vista o bom histórico na formação de jogadores do Corinthians, porém, temos de ter em mente que outros assuntos do clube foram tratados, para que o Corinthians chegasse ao patamar que atualmente está.
As categorias de base, já sem o famoso “Terrão” a seu dispor, passou a treinar no Flamengo de Guarulhos, time parceiro do Corinthians. Ainda assim, o “Timãozinho”, continuou a demonstrar o seu valor, vencendo, no inicio deste ano, a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Cabe ressaltar que o novo centro de treinamentos da Base, tem previsão de ficar pronto no próximo ano.
Não obstante, a venda de atletas deixou de ser um ponto chave na geração de receitas do Corinthians, tendo as receitas sem transferência de atletas avançado 270% em 4 anos – Fato que a Diretoria considera um case de verdadeiro sucesso no mercado nacional.
Uma fantástica iniciativa do Corinthians para angariar mais valores para suas categorias de base foi a parceria com o Santa Fé-ARG, criando o Corinthians-Santa Fé. A província de Santa Fé, alias, é conhecida por formar craques, como Batistua, ao longo da história. O time, terá como principal função dar maior capilaridade na captação de novos valores do futebol.
No entanto, um dúvida ainda resta: O investimento em jovens craques, brasileiros ou estrangeiros, não seria boa alternativa para o Corinthians, principalmente quando levamos em consideração o quase estagnado futebol brasileiro ?!
Desta forma, busquei estudar, ainda que superficialmente, três grandes times da Europa, analisando suas estratégias de criação e investimento em jovens jogadores.
ARSENAL: Geração de Valor
Ao ano de 2003 o Arsenal era, com certeza, um dos times mais poderosos e temidos do futebol europeu. Contanto com jogadores consagrados como Henry, Vieira, Wiltord e Bergkamp, os Gunners conquistaram seu último título da Premier League. Um temporada depois do título, a diretoria apostou pesadamente no investimento em jovens valores do futebol europeu. Assim nomes como Cesc Fábregas, Robin Van Persie, Gaël Clichy, Emmanuel Adebayor e Theo Walcott surgiram na temporada 2004/2005, momento que alteraria, definitivamente, a história do Arsenal até a atual temporada.
Apostando em jovens valores, sem o peso de jogadores mais experientes, Arsené Wenger abdicou da disputa de títulos, tanto na Inglaterra, quanto na Europa. Por outro lado, investindo um total de € 29 MM em jogadores como Fábregas, Nasri, Clichy e Adebayor, os Gunners angariam receitas de mais de € 69 MM – bem mais que o dobro – além de ter, atualmente, jogadores que são objetos de desejos por qualquer time do mundo, ênfase para Van Persie, que desde de chegou à Londres valorizou mais de 900%, e o goleiro Szczesny, com valorização de 23.900%!
Com dinheiro em caixa, a diretoria resolveu investir em jogadores mais rodados, como Mikel Arteta, André Santos e Per Mertesacker, o que, aliado aos bons nomes dos quais o técnico Arsené Wenger já dispunha e fantástica fase de Van Persie, foi fundamental para o atual bom momento do time na Premier League.
MANCHESTER UNITED: Criando Lendas
Com apenas um nome podemos definir a estratégia de Alex Ferguson, à frente do United: Ryan Giggs! O galês (que foi “surripiado” do City) juntou-se ás categoria de base dos Devils com apenas 14 anos. Outras lendas do futebol inglês como Paul Scholes, David Beckham, e Gary e Phil Neville, se juntariam à Giggs para formar a famigerada e temida “Classe de 92”.
No entanto, para Ferguson, apenas “criar jogadores” estavam muito aquém do real objetivo de futebol, e contratando jogadores como Cantona, Schmeichel, Roy Keane e Solskjær, associados à “Classe de 92”, transformariam o Teatro dos Sonhos (como é conhecido o Old Trafford), no verdadeiro Jardim do Diabo.
Embora nunca tenha feito parte da estratégia de Alex Ferguson, gerar receitas com jogadores, apenas as vendas de Beckham e Cristiano Ronaldo, ao Real Madrid, em 2003 e 2009 respectivamente, geraram receitas de mais de € 114 MM aos cofres do United.
Por fim, quase duas décadas depois, a estratégia continua, porém com maior capilaridade, sendo que nomes como Fábio e Rafael, Pogba, Nani, Valência e Chicarito Hernandez, vindos das mais diversas partes do mundo, continuam a dar títulos aos Diabos Vermelhos.
BARCELONA: Filosofia que Cria
Com quase 70% do elenco formado “em casa”, é muito difícil precisar quando a “filosofia” do Barcelona foi iniciada ou começou a dar resultados, embora haja a história de que é um trabalho desenvolvido desde a década de 1970. Porém, nos atentemos à história mais recente do Barça. Na temporada 2005/2006, nomes como Lionel Messi, Andrés Iniesta e Victor Valdés, começaram a ganhar força na Catalunha. No entanto, à mesma época, o Real Madrid, dominava o cenário europeu com um time formado por Ronaldo, Zidane, Raul e Cia.
Dadas as circunstâncias e para parelhar-se com o rival, sucedeu-se forte investimento em jogadores renomados como Ronaldinho Gaúcho, Deco, Giuly e Eto’o e o time da Catalunha e, na temporada de 2006/2007, chegou à ter apenas 42% do seu plantel formado por jogadores espanhóis e/ou da base – número baixíssimo quando comparado com o atual plantel.
Posteriormente, a venda desses jogadores gerou um resultado negativo de quase € 35 MM (variação negativa de mais de 37%). Um momento transitório e necessário que com certeza, foi primordial para vermos, hoje em dia, um dos maiores times do mundo, que forma a base da Seleção Espanhola.
Neste momento transitório, o Barcelona deu tempo para que seus promissores jogadores ganhassem experiência e se desenvolvessem. Atualmente, esses jogadores já desenvolvidos, guiam jovens talentos como Thiago Alcantara, Cristian Tello e Isaac Cuenca, que são cobiçadíssimos por times ingleses.
Dados Jogadores – Base de Estudo
Um longo caminho a seguir
Nomes como Marquinhos, Matheus e Denner, após a conquista da Copa São Paulo, chamaram a atenção não só do técnico Tite, que os incorporou ao elenco profissional, mas de vários times, tendo alguns jogadores sido emprestados para times brasileiros.
As categorias de base do Corinthians, com certeza, ainda nos guarda boas surpresas, como sempre fez, mas um ponto que merece ser observado é a valorização desses jogadores em âmbito nacional e, posteriormente, internacional, para que o Corinthians realmente usufrua de maiores benefícios da sua tão forte categoria de base.
Por fim, uma boa estratégia de criação de valores no futebol envolve a diversificação das fontes dos jogadores que municiaram as categorias de base, destinando uma parte de seus lucros como capital de risco, investindo em jovens talentos. Para um clube como o Corinthians, Argentina, México e Uruguai, seriam boas fontes de jogadores, uma vez que tais países possuem momento econômico menos favorável, ressaltando que a infraestrutura para “lapidar” esse talentos, deverá ser de maior robustez.
Infraestrutura, que será o tópico do próximo post.
#VaiCorinthians